segunda-feira, 9 de abril de 2012

[Fazendo Pipoca] O (des)valor do roteirista

Inaugurando a "Fazendo Pipoca" e minha participação no blog, cheia de orgulho e vontade de escrever pra vocês!
Vamos ao que interessa...

Em um mega resumo: O roteirista escreve, o diretor traduz as palavras em imagem e o produtor arruma a grana pro filme ser realizado.

E aí, de quem é o filme?
Na maioria dos casos, o nome de frente que sai quando o filme é lançado é do diretor. Mas na real, o filme é do produtor. Tanto que se formos olhar e analisar separadamente o Oscar, por exemplo, na categoria de melhor filme quem recebe a estatueta é o produtor (talvez também porque ele não é valorizado como deveria e o diretor já tem uma categoria só dele).
A questão aqui não é desmerecer ninguém, mas sim exaltar e valorizar o cara que perde dias escrevendo um negócio, que tem a coragem fenomenal de entregar pra um outro cara transformar em audiovisual.
É muito difícil o diretor traduzir exatamente do jeito que o roteirista imaginou. O papel do roteirista acaba quando ele entrega o filme nas mãos de um produtor/diretor.
Ele não participa das filmagens, de nada. Nada, nada.
Há alguns casos isolados e raros, onde o filme leva o nome do diretor junto ao do roteirista. Mas como disse, são raros. Raríssimos. Tudo bem que o diretor vai fazer o filme a partir do que tá escrito e do que ele próprio formou na cabeça dele, assim acontece com o diretor de fotografia, vai traduzir o que o diretor estava pensando.
"Penso, logo quase desisto"
Pra exemplificar melhor esse negócio de tradução, vamos a um exemplo simples. Uma adaptação de um livro para o cinema.
Você, meu caro, você comprou um livro que te conquistou, leu e se apaixonou pelo livro. O livro faz um sucesso absurdo e vira uma adaptação para o cinema. Você, empolgado demais, assim que o filme entra em cartaz pra exibição, vai correndo assistir... O que acontece muitas vezes? “Nossa, o livro é muito melhor. Que é isso... faltou aquela parte x. E a parte y que eles fizeram? Na minha cabeça não teve nada a ver. Sem contar a parte w que pra mim foi péssima...” - Muita gente reclama.
Ficou claro que há uma inversão de linguagens aí? Saímos da linguagem literária pra cinematográfica, pra audiovisual. Alguns diretores optam por dar mais importância pra um lado que, de repente, pra você passou despercebido. Ou então preferem dar foco em coisas mais concretas, deixando alguns detalhes de lado fazendo com que nem tudo do livro seja seguido fielmente.
Esse exemplo mostra mais ou menos como acontece a relação roteirista-diretor.
Imaginem que o roteirista é um leitor do seu próprio livro e o diretor é o cara que tem o dever de transformar a linguagem, de dar vida àquela história. Não tem como ser exatamente/fielmente igual ou pelo menos parecido.
Cada um pensa de uma forma. Imagina de uma forma. Imagina, essa é a palavra!
A grande questão é essa. O livro que tanto prezou e que tanto te tocou perde o sentido.
Isso é bom? Eu não acho.
O roteirista passa um tempo escrevendo, imaginando uma trama superbacana, uma história mirabolante, um negócio muito legal (pra ele, de repente o roteiro não é tão bom e o diretor transforma em algo magnífico) e no final, qual é o crédito que ele recebe? E no final, pra que ele serve? É um cara superimportante. Mas cadê que alguém nota?
Nem vou entrar no mérito do produtor... Basta vocês assistirem o making of do filme enquanto fazem a pipoca e ver se em algum momento é falado em produção. Enfim, é uma outra discussão.

O que eu queria mesmo era atentar para grande tristeza que eu sinto vendo o quão meus colegas escritores não possuem um valor sólido.
Mesmo sabendo que isso não tem quase nenhuma probabilidade de acontecer, torço pra que um dia essa situação de mesmice de desvalor do roteirista mude. E que eles, e até mesmo você, futuro roteirista que está lendo agora, consiga mais espaço e mais visibilidade. É de um merecimento absurdo, na minha concepção.
Dias melhores virão.
Falando em vir...
Essa postagem vai ser desdobrada em duas. Uma continuação vem por aí.
Notaram que eu falei do Oscar, mas não falei dos prêmios de melhor roteiro e melhor roteiro adaptado, né?
Pois bem, isso e um pouquinho mais virá no próximo post.
Fiquem de olho ;)

domingo, 8 de abril de 2012

[Íntimo & Pessoal] - Comer Rezar Amar

Olá, pessoas!

Bem-vindos a mais uma estréia do blog, a coluna "Íntimo & Pessoal".

Do que se trata? Apenas da minha opinião pessoal, parcial e totalmente tendenciosa sobre variados filmes. Longe de ser uma crítica rica em detalhes técnicos e conhecimentos cinéfilos ultramente avançados, essa coluna se foca no que realmente importa para todos do lado de cá da telinha, o filme em si.

Quer uma troca de opiniões, impressões e afins? Vamos lá...


Para começar vamos com o filme "Comer Rezar Amar", estrelado por Julia Roberts e dirigido por Ryan Murphy. Filme biográfico que relata a busca da escritora americana Elizabeth Gilbert pelo autoconhecimento.



“Se você for corajoso o bastante pra deixar tudo pra trás que é familiar e cômodo, que pode ser qualquer coisa desde a sua casa até a amargura de um tipo de ressentimento, e planejar uma viagem de busca verdadeira tanto externa quanto interna e se estiver realmente disposto a considerar tudo o que acontecer com você nessa viagem como uma pista e se você aceitar todos que encontrar ao longo desse caminho como professores e se estiver preparado acima de tudo a enfrentar e perdoar algumas realidades bem difíceis sobre si mesmo a verdade não será negada a você.”

O que fazer quando percebe que se tornou uma pessoa vazia?
Ao perceber que estava infeliz com sua vida, Liz (Julia Roberts) resolve que era hora de mudar. Como primeiro passo decide terminar com seu casamento, começando um complicado processo de divórcio. Em seguida começa um relacionamento com o jovem ator David (James Franco), onde a felicidade inicial logo dá lugar a mais uma frustração e a percepção do mesmo vazio existencial.

Ao se ver em tal encruzilhada Liz resolve fazer uma viagem de um ano pela Itália, Índia e Indonésia seguindo a “profecia” de Ketut, curandeiro que conheceu durante uma viagem a Bali, afinal, quando se está desesperada e um cara que se parece um pouco com Yoda te faz uma profecia, você tem que acreditar.

Na Itália, se entrega a um período de indulgência onde se dedica a aprender o idioma e há busca ao “dolce far niente”, ou “prazer de não fazer nada” se dando a chance de acabar com a culpa e até ganhar alguns quilinhos ao apreciar a culinária local.

Na Índia, Liz vai para um mosteiro hindu, onde pretende dedicar-se há meditação e busca de equilíbrio espiritual, o que descobre não ser uma tarefa tão fácil. Ao ver-se confrontando sua dor e se perdoando, enfim entende que “Deus reside em você como você”.

Em Bali, Liz vai em busca de um equilíbrio dividindo seu tempo entre aproveitar a região paradisíaca e a meditação. Lá conhece o brasileiro (?) Felipe (Javier Bardem) começando assim um romance embalado pelo delicioso som da Bossa Nova, descobrindo que às vezes perder o equilíbrio por amor faz parte de viver uma vida equilibrada.

Comer Rezar Amar representa aquele desejo que toda pessoa em algum momento da vida tem de sair por aí com o intuito de adquirir equilíbrio e autoconhecimento, mas que poucos têm a oportunidade (e coragem) de seguir. Para aqueles que amam viajar, a maravilhosa fotografia excita aquela vontade de embarcar no próximo avião. Um filme para quem compreende a necessidade de sentir... Para pessoas “em busca de sua palavra”.


sábado, 7 de abril de 2012

[Aquela cena] Dança em "Pulp Fiction"

AQUELA CENA será uma coluna no blog onde eu trarei semanalmente algumas cenas marcantes dos mais variados filmes.

A escolhida para dar início a tudo foi a antológica cena da dança entre Mia Wallace e Vincent Vega (Uma Thurman e John Travolta) em Pulp Fiction, filme dirigido por Quentin Tarantino.



A explicação para essa cena é conturbada. Eu mesmo já vi pessoas alegando 3 diferentes inspirações para ela.

1ª - Uma cena colocada com o intuito de brincar com John Travolta, devido aos seus antigos filmes de dança.

2ª - Uma homenagem a uma cena de dança do filme 8 e meio, do diretor italiano Federico Fellini.

3ª - Dizem também que Tarantino credita a inspiração dessa cena ao filme "Bande à Part", do diretor Jean-Luc Godard.


Seja qual for a inspiração dela, o fato é que a cena é divertida e quebra um pouco o clima pesado da violência exposta no filme.

CURIOSIDADE: Essa cena ganhou o MTV Movie Awards como melhor sequência de dança.

______________________________________________________________

Bem, pessoal, espero que tenham gostado. Vai ser bem divertido atualizar essa coluna, vira e mexe vejo cenas em filmes que morro de vontade de sair comentando e mostrando para as pessoas que conheço. E agora, aqui, terei a chance de fazer isso.

Um grande abraço e até a próxima!  o/

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Post inaugural

Sejam todos bem vindos ao mais novo blog voltado a essa coisa linda que é o cinema.

De cara, quero deixar claro que as opiniões aqui expressas representam a visão de cada colunista, ou seja, ninguém é obrigado a concordo conosco. É um espaço onde expomos nossos achismos sobre o mundo do cinema. Entre e se divirta, sem stress.

Antes que eu me esqueça, o blog não terá um foco em especial, falaremos sobre cinema de forma abrangente, tipo: filmes em cartaz, antigos, clássicos, trashs, técnicas, cenas de filmes, reprodução de cenas, etc... tudo que acharmos legal postar aqui, será feito.

Mais uma vez, sejam todos bem vindos ao nosso cantinho e voltem sempre!